De Caravelas a Ilhéus

Fizemos tudo direitinho, nos preparamos, descansamos, saímos na hora certa, mas nada adiantou.

As ondas nos pegaram de lado o tempo todo e levamos 40h, de muito enjoo e bateção, até Ilhéus.

Pra sair de Caravelas é preciso voltar um bocado pelo canal e, com o sol da manhã, estava super bonito.

No primeiro dia tomei o Bonine, dormi um bocado e segurei a onda, até fiquei na vigília o suficiente pro Pig tirar um cochilo e eu fotografar uma baleia passando ao nosso lado, mas lá pelas tantas até o Pig estava passando mal.

Nem me animei muito quando um atobá resolveu pegar uma carona, tadinho, parecia estar super cansado, sentou ali no painel solar, recolheu uma perninha e pegou no sono.

O sol se pôs, a lua nasceu, tudo perfeito, exceto pela ondulação lateral, que fez portas (todas com trava) abrirem, baterem, voar coisa pra todo lado.

Lá estava eu, deitada no pé do mastro, abraçada com o balde, qdo de repente a porta do armário se abriu e gavetinhas cheias de carregadores, cabos, celulares, hds, laptops, etc, etc e etc voaram em cima de mim. Um caos, juntei tudo da melhor maneira possível, coloquei de volta e o Pig amarrou as portas para evitar novas avalanches.

Um tempo depois o banho foi de água salgada, a gaiuta central não estava bem travada, e mesmo com o botinho por cima a água entrou, lá fui eu novamente tentar dar um jeito sem passar mal por cima.

Foi desanimador, durante a noite pegamos várias pancadas de chuva, com fortes rajadas, e o Pig passando mal e ajustando as velas, colocando o despertador pra procurar por outros barcos em possíveis rotas de colisão.

No final a vela grande rasgou numa das bolsas do primeiro riso e tivemos que colocar no segundo, a genoa (a vela de proa) enrolou de um jeito todo errado que depois, fundeados, ainda levamos o maior tempão pra conseguir ajeitar.

E pra terminar o motor começou a dar indicação de baixa pressão de óleo.

Chegamos a Ilhéus 21:00h, depois de muito sufoco, o pessoal do iate clube nos orientou, pelo rádio, a parar próximo aos barcos em frente, só que no escuro não dava pra ver barco nenhum, e achamos melhor ficar bem afastados, e acabamos fundeando próximo ao “Raptor”, o veleiro australiano que encontramos em Búzios e Vitória, mas que só vimos depois de termos parado.

Não dava pra acreditar no balanço que continuava, era muito pouco abrigado e a ondulação entrava com vontade, dormimos de pura exaustão, à base de remédios pra enjoo e resolvemos procurar uma pousada pra realmente descansar na noite seguinte.

De manhã o Pig conversou com o Alberto da náutica que indicou um mecânico que veio ver o motor e disse que aparentemente não havia nenhum problema.

Enquanto isso me conectei pra escolher uma pousada em Itacaré, e o barco balançando, difícil de ficar em pé, de arrumar qualquer coisa.

Mas arrumei uma malinha para 2 ou 3 dias, e sabendo que embora balançando muito o Blues estaria em segurança, lá fomos nós em busca do merecido descanso.

 

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